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19 de Outubro de 2018

Como a vitória de Donald Trump pode afetar o Brasil?

Republicano não mencionou o país em sua campanha, mas tem um elemento de imprevisibilidade que pode prejudicar as relações com os brasileiros.

Flávia Teixeira Ortega, Advogado
há 2 anos

Como a vitria de Donald Trump pode afetar o Brasil

Em um triunfo inesperado, o republicano Donald Trump foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos. Trump conquistou vários Estados-pêndulo, onde os resultados eram imprevisíveis - podiam favorecer tanto um quanto o outro partido -, como Flórida, Ohio e Carolina do Norte, garantindo vantagem sobre Hillary Clinton.

Sua vitória não era indicada pelas pesquisas de opinião, que apontavam Clinton como novo presidente.

Mas como o êxito do republicano impacta no Brasil? Leia a seguir os principais pontos de contato entre os dois países.

Economia e comércio

Vários aspectos devem ser levados em conta para responder a questão.

Um deles é a maneira como os dois candidatos e seus partidos encararam a economia e as relações comerciais entre os Estados Unidose o resto do mundo.

O Brasil se beneficiaria de uma maior abertura dos EUA a produtos brasileiros. Hoje os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás da China.

Historicamente, o Partido Republicano, de Trump, defende o livre comércio e se opõe a medidas protecionistas que ajudassem empresas americanas a competir com estrangeiras.

Assim, um candidato republicano tenderia a ser melhor para os interesses econômicos do Brasil do que um candidato democrata.

Mas Trump inverteu essa lógica ao propor renegociar os acordos comerciais firmados pelos EUA para preservar empregos no país e reduzir o déficit americano nas transações com o resto do mundo.

Se o empresário colocar essas ações em prática, o Brasil poderia ser prejudicado.

A professora de Relações Internacionais da ESPM Denilde Holzhacker afirma que as consequências seriam imediatas e negativas, e causariam o que muitos economistas estão chamado de "efeito Trump".

"Como ele fez propostas muito amplas e populistas, o efeito econômico dessas medidas podem ter impacto grande e gerar um caos na economia - principalmente porque ele é contrário ao livre comércio, se mostrou protecionista."

Mas Holzhacker faz uma ressalva sobre a aplicação dessa medidas.

"Agora, para saber o quanto ele vai conseguir implementar disso, vamos ter que esperar. Ele é tão imprevisível e tudo fica tão indefinido que prejudica muito o cenário econômico."

Imigração e vistos

Estima-se que um milhão de brasileiros vivam nos EUA, boa parte em situação migratória irregular.

Trump propôs construir um muro na fronteira do país com o México e prometeu deportar todos os imigrantes sem documentos.

Ele diz que protegerá o "bem-estar econômico de imigrantes legais" e que a admissão de novos imigrantes levará em conta suas chances de obter sucesso nos EUA, o que em tese favoreceria brasileiros com alta escolaridade e habilidades específicas que queiram migrar para o país.

Evento de latinos em apoio a Trump, que promoteu construir um muro para evitar entrada de imigrantes

Outro tema de interesse dos brasileiros é a facilidade para obter vistos americanos. Trump fez poucas menções ao sistema de concessão de vistos do país.

Hoje, Brasil e EUA negociam a adesão brasileira a um programa que reduziria a burocracia para viajantes frequentes brasileiros, como executivos. A eliminação dos vistos, porém, ainda parece distante.

Para que a isenção possa ser negociada, precisaria haver uma redução no índice de vistos rejeitados em consulados americanos no Brasil, uma exigência da legislação dos EUA.

Relação com o Brasil

O Brasil e a América Latina não foram tratados como temas prioritários nas campanhas dos dois candidatos.

Em 2015, Trump citou o Brasil ao listar países que, segundo ele, tiram vantagem dos Estados Unidos através de práticas comerciais que ele considera injustas. A balança comercial entre os dois países, porém, é favorável aos EUA.

Como empresário, Trump é sócio de um hotel no Rio de Janeiro e licenciou sua marca para ser usada por um complexo de edifícios na zona portuária da cidade. Anunciada em 2012, a obra ainda nem começou.

Para a professora de Relações Internacionais da Unifesp Cristina Pecequilo, como Trump não falou nada sobre o país e se distanciou de temas ligados à América Latina, não deve haver muitas mudanças para os brasileiros. No entanto, diferentemente de Hillary, o republicano tem o elemento de imprevisibilidade.

"A situação do governo Hillary para o Brasil teria sido mais tranquila porque era mais previsível por qual caminho ela iria. Seria a continuidade do governo Obama, de uma dimensão política que tem o reconhecimento do Brasil como relevante, sem muitas mudanças."

Pecequilo afirma que o país deve perder relevância na visão dos Estados Unidos dado o conturbado cenário interno.

"Eles estão com tanto problema dentro de casa, que o Brasil não é uma preocupação."

Relação entre Brasil e EUA também vai depender de química entre Temer e Trump

Questão de química

Especialistas nas relações Brasil-EUA costumam dizer que os laços entre os dois países dependem em grande medida da química entre seus líderes, independentemente de seus partidos ou ideologias.

Eles afirmam que, embora seguissem tradições políticas bastante distintas, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) e George W. Bush (2001-2009) tinham uma relação tão boa quanto a mantida entre FHC (1995-2002) e Bill Clinton (1993-2001), que tinham maior afinidade ideológica.

Já a relação entre Barack Obama e Dilma Rousseff nunca foi tão próxima e sofreu com a revelação de que o governo americano havia espionado a presidente brasileira.

Analistas afirmam ainda que Brasil e EUA têm relações bastante diversificadas e que os laços devem ser mantidos qualquer que seja o resultado da eleição em novembro, já que os dois governos dialogam dentro de estruturas burocráticas.

Do lado brasileiro, há interesse em se aproximar mais dos EUA, vença quem vençer. Em entrevista à BBC Brasil em julho, o embaixador brasileiro em Washington, Sérgio Amaral, disse que o governo Temer investiria nas relações com as cinco principais potências globais (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido).

Amaral afirmou ainda que, na Embaixada, priorizaria áreas em que Brasil e EUA têm maior convergência, como direitos humanos e meio ambiente.

Fonte: Globo


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178 Comentários

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Há determinados trechos que devemos analisar:

1) "Mas Trump inverteu essa lógica ao propor renegociar os acordos comerciais firmados pelos EUA para preservar empregos no país e reduzir o déficit americano nas transações com o resto do mundo".

- Bem, ele tem que governar para o seu país e para seu povo em primeiro lugar ... podemos condená-lo por isso? Não queremos mais empregos, redução de nosso déficit e crescimento econômico? Então nada mais do que fazer o dever de casa.

2) "Trump propôs construir um muro na fronteira do país com o México e prometeu deportar todos os imigrantes sem documentos".

- Apesar da palavra "muro" poder ser um exagero ou de fato uma obra, ninguém pode condená-lo por querer reprimir imigração ilegal. Imigração ilegal é ilegal (bingo!!!).

3) "... a admissão de novos imigrantes levará em conta suas chances de obter sucesso nos EUA".

- Está certo ele. Ir para lá para dormir em praças é que não dá. É uma troca justa: te dou a chance de morar na minha casa organizada, mas você tem que ajudar nas tarefas domésticas.

4) "O Brasil e a América Latina não foram tratados como temas prioritários nas campanhas dos dois candidatos."

- Dos dois !!!

Concluindo, não há nada de concreto e nem motivos para medo ... aliás, quem somos nós para questionar as escolhas de políticos pelos americanos?

Se ele quer governar principalmente para os americanos só nos resta babar de inveja ... melhor que ter políticos que governam para si, para os seus e ainda fazem obras em ditaduras adjacentes.

Se ele quer fortalecer a economia e gerar empregos, mais um motivo para invejarmos, pois é melhor do que ter dependência sócio-econômica do Estado.

Só lembrando: Trump, tenha sido ou não político, é mais capacitado e vencedor as custas de seu trabalho do que Lula, que também nunca tinha governado nada e só vendia greves (ainda que a ética,a moral e o jogo limpo não seja a primazia do labor anterior de ambos). continuar lendo

Falei a mesma coisa pro meu marido hoje quando li esse texto no G1. Então o reflexo "ruim" para o Brasil é que ele pretende aderir ao protecionismo e melhorar a vida dos comerciantes internos e diminuir o déficit americano? Inveja me define! Ele será presidente dos Estados Unidos, não do Planeta Terra! O resto do mundo que se lasque, ele tem mais é que governar pro povo dele, visando o bem estar do povo dele e não dos outros países. E banir imigração ilegal é corretíssimo! Ninguém mandou os espertalhões irem morar num país ilegalmente, tem mais é que ser deportado, pra ontem, de preferência! E dificultar visto é mais do que correto, permitir entrada de pobre metido a besta que só tem dinheiro pra passagem de ida é pedir pra o país virar uma carniça. No mais, é muita especulação pra um governo que ainda nem tomou posse, fala sério! Vamos viver um dia atrás do outro. continuar lendo

Muito boa sua análise. Ainda nem deixaram o PR tomar posse e já estão "prevendo o caos". Se o mundo acabar a "culpa" será dele. As bolsas caindo?Culpa dele. Só vejo#choroemimimi da imprensa que pagou um dos recentes e maiores#micos. Aqui como diz a Gioconda Brasil repórter: "No Brasil não há cobertura das eleições presidenciais americanas, há torcida por Hillary Clinton." Estão alarmados por não serem imparciais que o resultado estão nas matérias de hoje como essa do G1. Na Globo News só faltou o corpo de Bombeiros e a Defesa Civil para salvar os afogados no oceano de lágrimas dos "especialistas" haha. Nos atentemos ao resultado uma vez que o voto não é obrigatório.
Se ele quer fortalecer a economia e gerar empregos, mais um motivo para invejarmos, pois é melhor do que ter dependência sócio-econômica do Estado. Perfeito! continuar lendo

De onde a Globo tira a informação de que "Clinton seria a continuação natural do governo Obama"? E que "isso seria mais seguro para o Brasil"? Bem, acho que trocaram a palavra "Globo" por "Brasil". Realmente, a imprensa mundial e brasileira pagaram um grande mico. Que vergonha alheia! Ficou escancarado a tentativa de manipular a eleição. Que vexame imprensa! continuar lendo

Logo de cara, assim que soube da notícia, falei para a minha esposa: "Provavelmente se fosse americano, teria votado nele como votei no Dória na prefeitura de São Paulo." Acho que políticos profissionais não estão sendo mais bem vistos em lugar nenhum. Ele será presidente dos EUA e não do mundo ou do Brasil. Negociação se ganha na barganha; quando se tem o que oferecer saí bom negócio. O importante também é quem nos representa em uma mesa de negociação seja lá com quem for. continuar lendo

As pessoas falam como se o protecionismo que ele propõem fosse sem fundamento, tal como um Getúlio Vargas da vida. Ora, como é errado evitar transações com países como a China, que notadamente fomenta políticas de destruição econômica dos outros países, inclusive daqueles com que ela negocia? continuar lendo

Babar de inveja dos EUA, e das ações de seu presidente psicopata eleito, remete ao perfil do que se pode esperar do suposto brasileiro esclarecido. Como então nosso Brasil poderá chegar a algum lugar de fato, como país desenvolvido??? Patético e trágico. continuar lendo

Parabéns pelo texto, penso da mesma forma .
Quem sabe o exemplo trump possa incentivar pessoas nacionalistas, com amor ao pais e que trabalhem .
Pois afinal de contas foi para isso que foram eleitas e o mínimo que esperamos e seriedade . continuar lendo

Verdade! "micaço" da grande imprensa, que torceu descaradamente por Hillary! Somente estando no mundo da lua para se deixar envenenar por essa proprganda travestida de jornalismo, achando que Trump é misógino, xenófabo, racista, Hitler, enfim, o demônio, e que Hillary é pura, decente, maravilhosa, a melhor, um verdadeiro anjo! Como disse certo comentarista, ainda bem que existe imprensa alternativa séria! Se não, estávamos perdidos! continuar lendo

Estava bom e parei de ler até meter o LULA no debate internacional. continuar lendo

Muito boa as observação e tem razão. continuar lendo

Verdade. Quem dera tivéssemos políticos para sem preocuparem conosco... continuar lendo

A vitória de Donald Trump revelou um fato importante para o mundo – a perda de força da mídia convencional e dos institutos de pesquisa para influenciar a opinião pública. Trump fez uma campanha com cerca de 360 milhões de dólares, enquanto a campanha de Hillary custou mais de 1 milhão. A mídia alternativa e as redes sociais funcionaram nos EUA como nunca, desconstruindo versões plantadas na mídia tradicional avessas ao candidato do Partido Republicano. As redes CNN, BBC, entre outras, não tiveram força suficiente para reverter a vontade dos eleitores que derrotaram nas urnas a candidata do Partido Democrata.

Se a eleição de Trump foi um bom ou bom negócio para o povo americano e para o planeta, o futuro dirá. continuar lendo

O que significa o que alguns especialistas dizem
"os laços entre os dois países dependem em grande medida da química entre seus líderes" ?
E' uma coisa cientifica esta, ou um conceito astral?
Em outras palavras, estes especialistas são cientistas ou astrólogos e bruxos da amarração? continuar lendo

kkkkkkkkk reflexão interessante. continuar lendo

kkkkkkkkkkkkkk Boa! #NadandonaslágrimasdaGlobo#Chora kkkk continuar lendo

Especialistas?!?!?!?! Palpiteiros de plantão, contratados para promover e difundir ideias tendenciosas aptas a converter incultos, confundindo alhos com bugalhos. continuar lendo

Ninguém sabe mesmo o que isto quer dizer?
Vamos lá. À Tiririca, "com química ou sem química", pior do que está não fica! continuar lendo

Inesperado para quem? Globonews? Hahaahaha continuar lendo

Faltou só o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil pra socorrer os #afogados no oceano de lágrimas da #RedeGlobosta e da Veja kkkkk continuar lendo

As mídias tradicionais estão afundando, sejam elas jornais, revistas, e os programas de sempre.
Tudo uma farsa, pesquisas de intenção de voto compradas, manipuladas, fraudulentas, que de alguma forma influenciam os indecisos ou até mesmo os convictos de que não adianta contrariar as "pesquisas". continuar lendo

O triunfo, era na verdade esperado, a imprensa estava enganando as pessoas, dizendo que o Trump iria perder. As coisas voltando ao normal. Chega de politicamente correto, de gayzismo, feminismo, farsa do aquecimento global e demais pautas revolucionárias/esquerdistas. Os globalistas piram com o Brexit e a eleição do Trump. continuar lendo

http://www.infomoney.com.br/blogs/economiaepolitica/economiaepolitica-direto-ao-ponto/post/5732914/vitoria-trump-derrota-establishment-grande-midia continuar lendo

"Chega de politicamente correto, de gayzismo, feminismo, farsa do aquecimento global e demais pautas revolucionárias/esquerdistas". Isso é tudo que eu espero! Tá dificil essa palhaçada desse mundo repleto de "mimimi" e gente que se ofende até com o que não lhe diz respeito. continuar lendo

O "politicamente correto" é a "novilingua" descrita por Orwell. continuar lendo